quinta-feira, 19 de novembro de 2009

das previsões

eu continuo lavando a louça com a torneira aberta.
sigo reclamando do calor.
continuo adorando todas as chuvas e temporais.
às vezes falo mal dos outros.
quase sempre penso em me esconder no meio do mato.
tô tentando resistir à lactose, mas nunca resisto aos queijos.
todos os dias durmo com o cabelo molhado.
sempre eu passo sono.

mas, Papai Noel vai me trazer a biografia "da minha" Clarice Lispector e eu vou me salvar.

amém

domingo, 15 de novembro de 2009

então, é natal!




papai noel.

não vou começar escrevendo sobre o meu comportamento, até porque a justiça sempre é burocrática e demorada. (e a paciência anda me fazendo uma falta danada)

li estes dias no jornal um manual sobre como ser um bom papai noel. e percebi que nunca encontrei um bom papai noel (a começar pelo abraço cheiroso)...
se nem papai noel segue o manual... eu me sinto timidamente perdoada pelo meu comportamento.

não, não acho que é cedo.
o senhor não faz idéia do quanto preciso de férias.
o melhor do natal pra mim sempre são as férias que seguem depois.

então vamos lá.

pro ano que vem eu preciso de coisas bem básicas.

- mais silêncio
- mais paciência
- mais horas de sono
- menos lides domésticas
- menos dias de calor e frio intensos (por volta dos 20 graus eu sempre sou uma menina melhor)
- menos cabelos brancos
- mais dinheiro
- mais feriados
- menos rinite
- menos 7 kgs
- milhares de hora de ócio
- 754 pacotes de clight sabor abacaxi com hortelã
- 53 bombons ouro branco
- encontrar mais pessoas nas quais consigo me encontrar
- 1 par de havaiannas pretas - eu comprei um par branco e amarelou
- 1 par de tênis preto
- 1 par de tênis branco
- 1 vestido que não pareça um capa de liquidificador
- 1 perfume masculino
- 1 perfume feminino
(eu gosto de perfume, mas não tenho muito jeito com eles)

clarice lispector (hoje e sempre)

de repente eu me vi e vi o mundo. e entendi: o mundo é dos outros. nunca meu.

por medo da loucura renunciei a verdade. minha idéias são inventadas. eu não me responsabilizo por elas. e o mais engraçado é que nunca aprendi a viver. só sei ir vivendo. eu tenho medo do ótimo. sempre que fica ótimo eu dou um passo para trás.

in: um sopro de vida (pulsações)

vez em quando

vez em quando eu sonho que vôo.
vez em quando eu sonho que posso nadar pelas ruas ao invés de caminhar.
vez em quando eu sonho que sou agressiva com quem não gosto.
vez em quando eu sonho que como umas coisas deliciosas e quando acordo acho graça de não ter ingerido nenhuma caloria.
vez em quando eu sonho que entro nas cenas dos meus filmes preferidos.
vez em quando não é bom acordar.

vez em quando eu quase entendo porque tenho mais cabelos brancos de um lado da cabeça.
vez em quando alguém pede pelo silêncio que ando precisando.

vez em quando é sem ritmo e sem vez, feito eu.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

sempre tem alguém que sabe o que é melhor pra mim!

"pele muita clara que fica vermelha e nunca bronzeia", é assim que o protetor solar define a minha pele.
as camas de bronzeamento artificial eram a minha única chance de não reluzir de tão branca no verão.
a minha única chance de não precisar passar protetor solar (sem esquecer das orelhas e dos pés) para ir tomar um picolé na esquina.
minha única chance de não tomar um torraço e perder dias e dias de verão.
na cama de bronze eu sempre sabia a medida, já com o buraco da camada de ozônio o furo é bem mais embaixo.

mas, o que mais me incomoda é a proibição.
além de sempre ter alguém que sabe o que é melhor para mim, eu não tenho nem mais o direito de não querer este melhor.
(diga-se de passagem que eu sei que são poucas pessoas que realmente desejam o melhor para mim. é aquela coisa do encalhe de tamiflu e o governo se preocupar com a gripe do porco...)

sem falar que o melhor da ciência é mais efêmero do que um bronzeado. desde que eu nasci (e eu ainda nem pinto os cabelos) a carne de porco e os ovos de galinha já foram diversas vezes vilões e herois na nossa alimentação.

e o cigarro?
já foi comprovado que só faz mal e ninguém proíbe.
é, as fumageiras rendem aos cofres públicos.
o governo sempre define o que é melhor para mim de acordo com o que rende mais para ele (ou alguém protegido por ele).

e se eu morrer de câncer, a culpada maior não será apenas a cama de bronzeamento...
mas, o peso de cada ideal desacreditado.
a revolta dos meus impostos nunca sendo revertidos para suprir os meus direitos básicos.
o esforço que eu faço para pagar plano de saúde particular, seguro do carro particular, seguro da casa particular...
simplesmente porque eu sei que o melhor para mim é não mais acreditar que na estrada há aqueles que sabem o que é melhor para mim (estrada esta que nunca está em boas condições, apesar do IPVA e de tantos pedágios...).

domingo, 8 de novembro de 2009

das citações

"O pecado não me constrange, o que me constrange é explicá-lo”

“Literatura é educar para o avesso. Quando educa para o conhecido, já é sermão”

“Tire também a roupa de suas palavras”

“O poema é uma profecia fracassada: valoriza o que não aconteceu”

“O tédio é uma tristeza que não sonha”

“O Twitter é um torpedo que a gente manda a si mesmo. E vai respondendo”

CARPINEJAR

sábado, 7 de novembro de 2009

das (não) motivações


salto alto é fora do meu universo.
é daquelas coisas que eu não entendo e não uso.
claro que eu já usei, mas só quando muito necessário.
e nas raras vezes eu preciso saber que há possibilidade de sentar e tirar o sapato embaixo da mesa.

então, esta ilustração é pra eu mesma aceitar que eu tenho TODOS os motivos...

das condições


(a preguiça nem precisou de desculpa...)

das coisas que eu não consigo

eu li "sobreviventes".
eu li um outro que não lembro o título, um psicólogo num campo de concentração.
o Cris está lendo "fome", e o personagem já passou 4 dias sem comer, até já mordeu o dedo para chupar um tanto de sangue.
eu sei que dá para sobreviver com 500 calorias por dia.
mas pra mim, um dia com menos de 1700 calorias simplesmente não existe.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

sem idade

nunca achei que o ato de votar fosse um ato de liberdade, mas sim de ilusão.

faz poucos dias que descobri que os alunos da rede pública votam na eleição da Direção de sua escola a partir dos 12 anos de idade.

não acho crucial eles não saberem votar.
aliás, faz anos que os maiores de 18 anos votam e só fazem merda.

mas, eu acho um pouco cedo para começar a desacreditar.

revendo conceitos

liberdade não é uma calça jeans velha e desbotada.

para mim uma calça jeans é a missão de ocultar o cofre (branco) o dia todo.

sem falar que quando a gente lava ela dá aquela encolhida básica que quase obriga a gente a pular de cima do guarda-roupa para conseguir habitar aquele espaço.
espaço este que a cada pouco fica menor. (é, as confecções não respeitam as numerações)


liberdade - que me perdoem os saudosistas - é uma calça de suplex um número maior.

o peso da vida real 2

então, chegou a balança digital da minha mãe.
mas, (o "mas" pode ser feliz!) ela acabou comprando uma balancinha de pesar gramas - sem querer -. (crédo, eu fico pensando o quanto pode o pensamento desesperado de uma gorda)
logo, não foi desta vez que eu me pesei pelada.

contudo, ela não desistiu da compra e eu não poderei desistir das alfaces.

se o pior da vida real é que ela pode ficar ainda mais real, o melhor é que não tem hora certa para isto acontecer.

e viva a minha mãe!
(minha mãe é uma das poucas coisas vitalícias da minha vida, o resto são fases e quilos que não querem me abandonar..)

domingo, 25 de outubro de 2009

sábado e domingo



("preguiça" sempra é linda)

, clarice

Foucault

não me pergunte quem eu sou e não me peça para permanecer o mesmo

"quase" sempre é triste



(leminski)

sábado, 24 de outubro de 2009

o peso da vida real

é mais ou menos assim:
quando o tênis fica confortável, aparece um furo.
quando a calça jeans assume teus contornos já está desbotada.
quando a gente descobre todos as funções do celular está na hora de trocar
quando a gente se conforma, surge uma oportunidade.

mas, a coisa sempre pode ficar pior.
minha mãe vai comprar uma balança digital.
se olhar pelada no espelho do banheiro já é uma missão.
agora imagina se olhar e confirmar tudo na balança.

fazer as necessidades, então, é uma questão de honra: se pesar antes e depois.

e nada mais daquela coisa de dizer que pesou tanto, mas tanto era de roupa ou sapato.

o pior da vida real é que ela sempre pode ficar mais real.

mas (nem sempre o "mas" é ruim), eu nem moro com a minha mãe e nem sou uma maria mijona.

domingo, 18 de outubro de 2009

do Talmud

A maior vingança é viver bem.

das condições



leminski

corrida contra o tempo


a corrida conta o tempo é meu esporte mais praticado e odiado. e aquele que mais me engorda.
daí, eu tenho um sonho bom e me demoro uns minutos a mais na cama e é aquilo de ter que colocar a escova de dentes na bolsa e ajeitar os cabelos no carro.
a hora do almoço é sempre a hora da escolha: ou eu troco de roupa, ou almoço, ou vou ao banco, ou vejo minha mãe por uns segundos. sempre na hora do almoço eu preciso abortar alguma vontade.
daí, eu compro um creme que promete reter o tempo e me pipoco de alergias.
mas, como desgraça pouca é bobagem: eis que surge o horário de verão. meses passando sono, almoçando sem fome e dormindo com sol.
o tempo é aquele que me faz correr sem nunca chegar. aquele que ri muitas vezes de mim e poucas vezes comigo. aquele que me assusta no espelho. aquele que sabe tudo, mas compartilha pouco comigo.

Temos muito tempo... Mas o tempo é qualquer coisa que se corta num golpe súbito de tesoura, quase sempre sem aviso. Três semanas, três anos, trinta anos... O tempo é apenas tempo. É água que escorre entre os dedos das mãos.
A verdade é que não temos muito tempo.
Enquanto cometemos a tolice de ir vivendo como se fôssemos viver... sempre, a nossa vida está às escuras, à espera de um acto de coragem que lhe dê cor e sentido.
(Paulo Geraldo)

"Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito." (Clarice Lispector)

das citações

"Vocação é diferente de talento. Pode-se ter vocação e não ter talento, isto é, pode-se ser chamado e não saber como ir."

Clarice Lispector

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

sonho de consumo, cada um tem o seu

vou te dizer, além de todos os constrangimentos que já se sabe, estar além do peso ideal dá um trabalho desgraçado.
juro que eu queria saber congelar alface.
lavar, secar e guardar alface dia sim e outro também sim... me piora significativamente a vida doméstica - que já é um dos meus fracos.

domingo, 11 de outubro de 2009

das ecologias

há uns 10 anos atrás, eu trazia para casa TODOS os panfletos que eram distribuídos: de carro, de boate, de cartomante, de político, de promoção.
algum dia alguém me contou que as pessoas que entregam panfletos só tem o expediente encerrado quando estes terminam.
mas, de uns tempos pra cá, eu desvio, eu fecho a janela do carro, agradeço e passo reto.
é, não pego nem aqueles que me interessam.
um panfleto consegue alterar o peso da minha culpa diária de produzir lixo.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

me falta fôlego...

eu li a biografia do Paulo Coelho e estou fazendo uma oficina literária com o Hermes Bernardi Jr.
e vou te dizer: viver de literatura é mais que percorrer o Caminho de Santiago!

eu sei que gosto de escrever, mas tenho certeza de que não sou uma escritora:
detesto microfone
não sei fazer performance
não toco violão
não tenho palco e nem sei montar um
não sei me fantasiar
não tenho tempo para esmolar ou divulgar
não acho justo pagar para publicar
acho menos justo ainda pagar ilustrador, edição e mais publicação.

é, eu sou uma pessoa que tem rinite, me falta fôlego!

domingo, 4 de outubro de 2009

sábado, 3 de outubro de 2009

das citações - Palavra Aguda

Nada é original. Apropria-te de tudo o que te enche de inspiração ou estimula a tua imaginação. Devora sem distinção filmes velhos e filmes novos, músicas, livros, quadros, fotografias, poemas, sonhos, conversas ouvidas por acaso, arquitetura, sinaléctica urbana, árvores, nuvens, movimentos de água, sombras e luz. Rouba apenas as coisas que falem diretamente ao teu coração. Se agires assim, a tua criação (tal como o teu fruto) será autêntica. A autenticidade é inestimável; a originalidade uma quimera. E não tentes dissimular o que pediste emprestado – reivindica-o se for teu desejo. Dê por onde der, lembra-te sempre do que disse Jean-Luc Godard: “O importante não é onde se apanha as coisas – é até onde se as leva”.

Jim Jarmusch

Olimpíadas de 2016

desde que foi divulgado que vai ser no Rio, tem gente que não pára mais de reclamar... por que não investem em saúde? por que não investem em educação? com tanta gente passando fome... e a violência?
pra mim, se a grana não for desviada (mais uma vez e como sempre) já superou TODAS as minhas expectativas!

(e olha que esporte é um dos meus pontos mais fracos)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

nenhumas das alternativas

eu não acho que o caso do ENEM prejudique os estudantes.
eu não acho que vá adiantar nada refazer, porque de tanta comprovação, eu não acredito mais que o nosso governo consiga não se corromper.

a minha alternativa correta é que eu me sinto cada vez mais palhaça sem achar a mínima graça.
eu fico imaginado que tudo vai acabar em pizza.
eu fico imaginado as toneladas de papéis impressas para estas provas que foram literalmente para o lixo. (e eu, palhaça, tentando ser ecologicamente correta)
eu fico imaginando a fortuna que eu pago de imposto, mais uma vez sendo posta fora. (e eu palhaça fazendo declaração de imposto de renda)

e ainda por cima, o voto obrigatório.
obrigatório deveria usar um nariz de palhaço, quem sabe assim eu acharia graça neste circo todo que sobrevive as minhas custas.

domingo, 27 de setembro de 2009

da vida real

e eu que achava que deprimente era comprar a revista "caras", mas só até assistir à novela das oito...
nem sei o que me deprime mais: o quanto elas são amadas, lindas, viajadas ou ricas.

domingo, 20 de setembro de 2009

Dízimo bem investido é outra coisa!




Uma família na Inglaterra comprou uma igreja por 92 mil libras e gastou 300 mil libras na reforma.

Eu acho uma evolução: melhor do que comprar cadeirinhas no céu, melhor do que tentar o padre e melhor do que iludir fiéis...

Mas, o que será que eles fizeram com os mortos do jardim?

Amém!

sábado, 19 de setembro de 2009

das citações

Richard Sennet definiu a cidade como “um assentamento humano em que estranhos têm a chance de se encontrar”. Comentando-a, Bauman diz que “isso significa que estranhos têm chance de encontrar em sua condição de estranhos… um encontro de estranhos é diferente de encontros de parentes, amigos ou conhecidos –parece, por comparação, um desencontro…o único apoio com que estranhos que se encontram podem contar deverá ser um tecido do fio fino e solto de sua aparência, palavras e gestos…” Isso gera a etiqueta da civilidade. Voltando a Sennet, ele nos diz que ela “tem como objetivo proteger os outros de serem sobrecarregados com nosso peso”.

(http://armonte.wordpress.com/2009/09/09/leitura-da-semana-apos-o-anoitecer-de-haruki-murakami/)

das modernidades

estes dias eu escutei ou li algo mais ou menos assim: eu tenho que casar logo, para logo poder me separar e ser feliz.

tem coisas que viram ritos de passagem, antes era o casamento, agora é a separação.

33 anos

sempre mais grisalha... (e resistindo à pintura)
(e como meu cabelos são bem pretos. os brancos reluzem!)

às vezes eu até acho que uma vida é pouco, outras vezes penso que se existisse a possibilidade eu não queria nunca mais voltar...

é triste as coisas que a gente deixa e perde pelo caminho, incluindo a gente mesma, mas é legal as coisas que a gente ganha, incluindo todas as pessoas... e muitos momentos...

mas, acredito que estou melhorando: agora eu faço até café na minha casa para a minha mãe e não vou mais a restaurantes comemorar. eu abro a casa para aqueles que me são sempre morada.

(claro, é o Cris que cozinha e ajuda a lavar a louça...)

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

da pré-história

quando eu era pequena, fotos a gente tirava nas datas.
fazia pose. gastava para revelar. e às vezes a gente saia feito um fantasma ou tudo ficava cor de rosa. tinha até aquilo do filme queimar. tinha também aquilo de tantas poses, pensar para não tirar foto de bobagem e gastar poses em vão. quando meu pai trazia as fotos reveladas, era sempre uma surpresa, pois ninguém tinha como ver as fotos antes... ver fotos reveladas era um evento caro e bonito.
foto da turma, eram aquelas de final de ano.
agora, bom, agora cada piscada é um flash!
e por incrível que pareça, se revela muito menos.
mas, para mim, uma dinossaura, o pior é ver tanta gente esquecendo de viver os momentos para fotografá-los.
tem gente - que nas festas - mais tira foto que dança.
em restaurante tem gente que mais tira foto do que come.
literalmente tem gente guardando (fotografando) memórias daquilo que nem viveu preocupado com a pose da foto...

domingo, 13 de setembro de 2009

um dia eu chego lá


(também do Palavra Aguda)

Saber ver necessita saber pensar o que se vê. Saber ver implica portanto saber pensar, como saber pensar implica saber ver. Saber pensar não é algo que se obtenha por técnica, receita ou método. Saber pensar não é apenas aplicar a lógica e a verificação aos dados da experiência. Isso supõe também saber organizar os dados da experiência. Precisamos portanto de compreender que regras, que princípios comandam o pensamento que nos permite organizar o real, isto é, seleccionar / privilegiar certos dados e eliminar / subalternizar outros. Precisamos de adivinhar a que pulsões obscuras, a que necessidades do nosso ser, a que idiossincrasia do nosso espírito obedece ou responde o que temos por verdade. Numa palavra, saber pensar significa indissociavelmente saber pensar o seu pensamento. Necessitamos de nos pensar pensando, de nos conhecer conhecendo. Essa é a exigência reflexiva fundamental, que não é tão-só a do filósofo profissional, que não deveria estender-se apenas ao cientista, mas que deve ser a de cada um e de todos.

Edgar Morin, “As grandes questões do nosso tempo”, trad. adelino dos santos rodrigues, Editorial Notícias, 1994.

das citações

Há um limite para se ser profundo. Há um limite para se ser subtil. Há um limite para se ser bom observador. Nós temos de nos mover num mundo de limites para a viabilidade de se ser. O limite da profundeza é a escuridão. O da observação é o do microscópio electrónico. Mas tudo no homem é assim. Para lá de certos limites é a confusão, a gratuidade, a loucura. Assim o grande amor se reconhece na morte ou o excesso da razão na confusão ou sofisma ou absurdo ou impensável ou gratuito. Todo o excessivo no homem é desumano ou degenerescência ou vazio. Mas que há de grande no homem senão o excesso de si? E é decerto aí que mora Deus. Ou mais para lá.

Vergílio ferreira, Escrever, Bertrand Editora, 2001.

Palavra Aguda

naufragando


eu sempre gostei de chuva no final de semana, como se a pregüiça se justificasse sozinha.
mas, de repente as minhas dúvida estão mofando, as minhas poucas certezas úmidas, os meus fantasmas me afogando, os meus pensamentos escorrendo...

"Tristeza é quando parece que não vai acabar." (Martha Medeiros)

das coisas que eu faço (sem querer)

eu espirro quando todos estão em silêncio
eu penso alto e quem não deveria escutar, escuta
eu troco as letras quando menos poderia
eu acordo no meio da noite achando que estou atrasada
eu acho graça quando não deveria
eu não acho graça quando todos riem
eu piso e fico grudada em todos os chiclés que estão no chão
eu não resisto a chocolate
eu fico constrangida pelos outros
eu esqueço o celular desligado
eu prefiro escrever do que falar
eu releio livros, mesmo com tantos novos me esperando
eu compro livros que eu já li e alguns que eu não vou ler
e sigo atropelando a mim mesma para não perder a hora.

quem é escritor?



Desde sempre eu gostei de escrever.
Desde sempre foi uma bomba, sempre sobrou para mim os mais diversos cartões, cartas, ofícios, atas, regulamentos, etc.
Desde novinha eu me arrisquei nestes concursos de frases e embalagens e eu ganhei muitas coisas bizarras (engradado de Fruki, caixa de picolé da Sorvebom, exame médico completo, curso de informática...) e até um computador do Beto Carrero.
Mas, minha carreira literária não passou de frases premiadas.
Foi eu decidir participar destes concursos literários que têm por aí que nunca mais a sorte apareceu nas minhas letras.
Não, eu não acho que eu sou uma escritora.
Eu sou só alguém que escreve para não morrer de vez, para poder arrotar um pouco dos sapos que ando engolindo. Acredito que escrever não torna alguém melhor (eu muitas vezes me acho até pior, por fugir pelas palavras e não encarar a vida mais de frente... é, muitas vezes é através das palavras que eu enfio as mãos na merda sem feder os meus dedos, as palavras muitas vezes são as unhas poderosas que eu não tenho paciência de cultivar nos dedos que insistem nas teclas ...) Mas, escrever é apenas uma forma de fugir e chegar a si mesmo... e habitar alguns poucos, como tantas outras: sexo, religião, música, esporte, ...
Aliás, agora cada vez que tem estes concursos eu fico me perguntando, mas quem é um escritor? Escrever, qualquer criança de 7 anos escreve. Viver da escrita não chega a ser um entre cem mil. Na pesca, na fotografia, no ciclismo... tantas vezes é o instrumento que diferencia... mas, o Quintana não escrevia de lápis de escrever apontado com navalha?
Ser escritor também não é ter um livro publicado, porque uma publicação não é um rito de passagem: é apenas ter um padrinho ou condições finaceiras de bancar as suas próprias palavras.
Acredito que ser um escritor, é antes de tudo ser um leitor, ler de uma forma diferente e sensível tudo isto que nos cerca e saber traduzir este prisma, saber abrir (ou seria fechar?) nossos conceitos. Escrever é uma forma de (des)construir, até mesmo de esquecer a palavra para alcançar o invisível.
Não, não acho que eu mereça algum prêmio. Também não acho que Chico Buarque precise de incentivo cultural. Não acho que um mesmo escritor precise ser premiado tantas vezes seguidas, já que os incentivos e concursos são para "descobrir" e incentivar os anônimos.
Aliás, nas escrivinhações de quem não é amiga do rei, já é suficientemente satisfatório o oxigênio das entrelinhas.
E mesmo todos os concursos me dizendo que eu não deveria passar da primeira linha, eu não consigo calar a boca...

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

das citações, por Bonnie

Num dia o seu futuro é sólido, no dia seguinte ele é líquido, e nos momentos em que você ferve, ele é quase vapor. E assim você vai em frente (ou em círculos, vai saber), com desejos tão mutáveis e certezas tão fugazes, correndo de um lado pro outro como uma barata tonta.
Será que um dia passa?

http://meaventurar.blogspot.com/

da série: coisas que assisti e recomendo

o filme "estômago".
não, não é preciso muito estômago.
é preciso apenas olhar para dentro e rever um pouco de tudo que a gente é.
de tudo que a gente não foge.
não posso mais com gente caindo de tanta pose.
preciso é da força daqueles que apenas são quem são e justamente por isto vão além de si mesmos e de tantos outros.
chega de modelos e de heróis, ver alguém que me lê é um tamanho bom demais pra mim. um manequim que não precisa nem de bainha.
eu também tenho fome. e não só de comida. mas da vida que é, e não daquela que apenas faz de conta.
eu me interesso pelos botecos onde a vida acontece...

domingo, 30 de agosto de 2009

das citações - Palavra Aguda

Para uso diário.

Se a vida não fosse tão insubstituível
talvez ousássemos utilizá-la.
Porém arrumamo-la na prateleira
como um vistoso par de sapatos
que é bonito de se ver
mas não para uso diário.
Assim, continuamos por aí sentados
numa expectativa descalça.

Margareta Ekström, “To catch Life Anew – 10 swedish women poets” (tradução do sueco de Eva Claeson), Oyster River (Durham, New Hampshire, 2006).

Leminski

Incenso fosse música

isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além.

sábado, 29 de agosto de 2009

Coisinhas que me intrigam

Me intrigam todos aqueles que dizem: "pára (é, sou do time da ortografia antiga) pra pensar."
Eu nunca parei para pensar: eu sempre pensei andando, comendo, caminhando, dando aula, escrevendo, no banheiro, lavando a louça...
Aliás, eu penso quando menos deveria.
Penso muito mais que o recomendável.
Se eu tivesse opção de não pensar, se eu precisasse parar para pensar, acho que virava atleta de maratona. Porque vamos e venhamos sem nunca sair do lugar, é o ato de pensar que tantas vezes acaba com tudo.
Acho que é de tanto pensar que os numeruzinhos da minha vida (com exceção da balança) continuam tão mirrados: nenhum filho, nenhuma plástica, 1º casamento, nenhuma passagem policial, nenhum prêmio na loteria, ...

Me intriga também a paciência do marido da Maya da novela. A pobre tá desidratada de tanto chorar e ele lá: sempre lindo e amável. (Ticket! - um dia descubro o que quer dizer isto!)

Me intriga a tal sacola de pano. E daí, onde vou colocar o meu lixinho de todo dia se não na sacolinha do mercado? O saco de lixo comprado, não é de plástico também? (Sem falar que o saco de lixo que o mercado vende é de milhões de litros. Dá até para matar o marido e despachar pelo caminhão do lixo.)

Me intriga a minha falta de projeção climática: foi eu investir em casacos que o verão começou.

Me intrigam os botecos que não têm Banricompras.

Me intrigam as pessoas que votam e acreditam.

Me intrigam as mulheres que ficam em cima de um salto agulha por mais de uma hora, com tanta coisa que uma pessoa já passa na vida...

Me intriga esta moda Saruel. Além de mais gordas, as mulheres parecem cagadas...

E vou te contar: no dia em que uma mulher acha uma SOBRANCELHA branca, ela se intriga com tudo e se indigna com este senhor tão implacável chamado TEMPO.

domingo, 23 de agosto de 2009

das vaidades



Então, botox é quando alguém quer rir e a boca não vai?

(Às vezes acho que eu tenho é mais inveja do que indignação em relação aos que se submetem a estas coisas todas...)

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

das citações

por Ticcia (www.ticcia.com.br)


Talvez um dia eu me torne mãe, ou não. Certo é que falar a respeito de educação de filhos é muito mais fácil do que educá-los, não tenho nenhuma dúvida. Mas há algum tempo me perguntaram o que a escola em que eu matriculasse um filho não poderia ensinar e eu respondi que a escola em que criança alguma estudasse não poderia jamais ensiná-la a ser qualquer coisa diferente do que ela realmente é.

domingo, 16 de agosto de 2009

das compulsões

compulsão, cada um tem a sua.
é por isto que às vezes eu posto várias coisas e tantas vezes nada.
tem gente que não sabe guardar dinheiro.
tem gente que não sabe guardar segredo.
tem gente que não sabe nem guardar a chave.
eu, não sei guardar posts (e nem segredo - mas não espalha).

sobre coisas que uma mulher não deveria fazer no mesmo dia...

se olhar pelada no espelho e
olhar atrizes na revista caras...

(é, não precisa de explicação!)

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deusquenoslivre destes verões repentinos: tudo branco e demais para fora das roupas.
melhor os casacões!

só pra constar

ninguém sabe o quanto que dói a falta de comentários para quem tem um blog.
ou o quanto ilumina o dia de quem escreve.

é, é bem aquilo mesmo, eu não escrevo pra ninguém.
mas, quando alguém lê - e comenta, é como se a fada azul habitasse meu blog e tudo virasse palavras de verdade.
dá aquela vergonha e aquela felicidade, tipo elogio de professora.
tipo olhar de homem na rua...

da série: sala de aula

eu sempre tive dificuldade em cobrar o uso do uniforme das crianças.
claro que eu sei que facilita para aquelas tantas coisas que todo mundo fala.
mas, também sei que é a idade onde eles começam a construir a sua personalidade, estilo, ...
é a idade onde tantas vezes a gente tem de vestir o que os pais mandam e ponto. (na maior parte da vezes quem manda mesmo é o salário do pai ou da mãe)
sem contar que roupa nunca foi e nem nunca será pré-requisito para aprender em sala de aula.
e talvez, uniformizar seja apenas uma forma de excluir o diferente.
e não, eu não sou moderna, eu acredito até em caderno de caligrafia e concentração.

e agora, além do uniforme vai ser aquilo: lembrar de lavar as mãos, limpar as classes, colocar o lixo a cada pouco para fora da sala, ficar de porta aberta (é, eu não gosto, aula pra mim às vezes tem as suas intimidades) e todas aquelas coisas que vão me matando mais do que a gripe.

mas, vai chegar o dia em que eu poderei ser apenas professora. ah, vai.